Pesquisar este blog

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Manobra Radical - Bruno Klering



 

Os dois lados da sociedade
Bruno C. Klering

Edith Modesto casou-se aos dezesseis anos e, junto a isso, deixou de estudar para cuidar dos sete filhos que vieram deste casamento. Com temas relacionados à juventude em suas obras, julgo que a autora tenha tido fortes influências nas suas produções devido à convivência com seus filhos, que ela teve que educar ainda bem jovem. Já com certa idade, formando-se em Letras, começou a escrever e hoje conta com diversos livros de diversos temas.
Com uma abordagem e vocabulário extremamente simples, o que facilita a leitura, Manobra Radical é um livro que tem tudo para agradar aos adolescentes que são, ou não, apaixonados pelo esporte Skate, afinal, é uma ótima obra para quem está começando a obter o hábito de leitura. Apresentando um enredo bastante enriquecido, torna-se com o desenrolar da história muito interessante e que prende a atenção do leitor.
A obra conta a história de Robson – o favelado, como dito no livro, – e Ricardo Júnior – o playboyzinho –, que juntos rompem barreiras e preconceitos sociais devido ao amor pelo skate que criara uma amizade entre os dois. Robson morava com uma catadora de papelão, em uma favela de São Paulo, que havia lhe acolhido após perder sua mãe para polícia e ajudava-a a pagar as contas trabalhando pela manhã como guardador de carros em frente a uma universidade, e à tarde, como flanelinha. Ele era um ótimo skatista, e, como todos os praticantes do esporte, sonhava em poder viver ao lado de seu carrinho (forma “carinhosa” para se chamar o skate), e fora Júnior quem deu-lhe a oportunidade deste sonho tornar-se realidade. Filho de um grande empresário e apaixonado pelo esporte, Júnior busca no skate uma forma de conquistar uma colega de classe, porém, ele não tinha nada mais que amor pelo skate, faltava-lhe muita habilidade.
Para entrar com tudo no esporte, Júnior envolve-se com o flanelinha para aprender a andar, mas a família obviamente fora contra, afinal, filho de uma família rica não deveria praticar um esporte que é “marginalizado”, devido a sua origem vinda do surfe - que já não era vista com bons olhos -, por ser praticado na rua e em locais públicos - podendo incomodar as outras pessoas -, e lembrando vários estereótipos – como drogado e vagabundo -, infelizmente há uma imagem negativa da sociedade sobre quem o pratica, que aos poucos está sendo rompida.
Depois de vários acontecimentos, Júnior e Robson conseguem conviver de forma mais convencional, ambos passam a acostumar-se com a vida que o outro levava, e até mesmo a família de Ricardo passa a admirar o amigo e lhe proporciona oportunidades de melhorias de vida.
Mostrando dois lados da sociedade de forma bem impactante, Edith Modesto cria um universo que hoje é muito comum no esporte, o convívio amigável de pessoas com culturas diferentes (frase popular: “skatista é tudo irmão”), pois há uma nova imagem tentando ser formada pelos praticantes que buscam cada vez mais obter seu espaço na sociedade, mostrando que simplesmente sentem-se livres, sorridentes e capazes de superar qualquer obstáculo sobre a prancha com rodinhas, sendo seu único inimigo a superação de seus próprios medos e limites, que é necessário a existência de locais apropriados para a prática do esporte, para que assim seja possível “sair” das ruas – não necessariamente sair, a origem do skate está na rua, no olhar diferenciado para a arquitetura das cidades, e isto é algo que não mudará, mas para poder ocorrer uma prática mais saudável e esportiva, afinal, alguém que está iniciando não teria grande controle sobre o skate para não atrapalhar o fluxo de carros e pessoas pelas ruas -, e assim, criando mais respeito por este estilo de vida.

Modesto, Edith. Manobra Radical. Editora Ática, 2005. Número de páginas: 127. 1º Edição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário